RECIFE — A Polícia Civil de Pernambuco realizou nesta quinta-feira (10) a Operação Pay Back contra um contador suspeito de fraude tributária e lavagem de dinheiro. A ação cumpre oito mandados de busca e apreensão domiciliar, além de determinar o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros no Recife e em Olinda, na Região Metropolitana.
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), o investigado simulava o pagamento de tributos de empresas clientes e entregava comprovantes falsificados aos proprietários. Uma das empresas atingidas atua no setor de transportes. O delegado Breno Varejão afirmou que o contador aproveitava a confiança dos clientes para informar que os pagamentos haviam sido feitos, embora os valores não fossem recolhidos. Em aproximadamente dois anos, o prejuízo dessa empresa passou de R$ 2 milhões.
As investigações começaram em junho de 2025 e indicaram que o dinheiro era direcionado a outros negócios, incluindo compra e venda de veículos e empresas do ramo de sucata. Os recursos também circulavam por uma rede empresarial e eram aplicados em diferentes atividades econômicas para ocultar a origem.
A operação mira quatro pessoas e quatro empresas. Entre os alvos estão uma empresa de venda de veículos e consultoria e dois ferros-velhos. Durante o cumprimento das medidas, uma arma de fogo foi apreendida, e o responsável pelo armamento foi autuado em flagrante. Dois simulacros também foram encontrados.
Investigação sobre sonegação fiscal
A PCPE informou que parte dos investigados já era alvo de apurações por sonegação fiscal e receptação de materiais, principalmente cobre e outros metais. O setor de sucata é acompanhado pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (Cira-PE) por ocorrências desse tipo e pelo possível uso na lavagem de dinheiro.
De acordo com o coordenador do Cira-PE, João Maria Rodrigues, o grupo teria ligação com cerca de 38 empresas e 81 processos administrativos tributários. A estimativa é de aproximadamente R$ 287 milhões em sonegação fiscal. A investigação pretende avançar na recuperação dos valores e identificar recursos além dos que foram determinados judicialmente nesta primeira etapa.
O representante da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE), Antônio Emery, disse que o contador utilizava o certificado digital para acessar comunicações das empresas com a Receita Estadual, a Receita Federal e outras informações. Com isso, simulava o cumprimento das obrigações tributárias e comunicava pagamentos que não tinham sido realizados.
A Sefaz-PE abordou seis contribuintes envolvidos direta ou indiretamente na operação. A corporação informou que as apurações continuarão para verificar se outras empresas também foram vítimas. A operação teve assessoramento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil e apoio da Diretoria de Operações Estratégicas da Sefaz-PE.








