A expansão da frota e o aumento da operação no Brasil estão no centro da avaliação que levou a S&P Global Ratings a elevar a nota de crédito da Latam Airlines Group de “BB” para “BB+”. A perspectiva atribuída ao rating é estável.
A companhia planeja adicionar 69 aeronaves à frota até 2028, em um programa que inclui encomendas de Airbus, Boeing e Embraer. No mercado brasileiro, a estratégia prevê o uso de jatos Embraer E2 para ampliar a malha doméstica e chegar a novos destinos.
O plano contempla 24 compromissos firmes de aeronaves até 2027. Na primeira fase, a Latam pretende aumentar de 63 para 67 o número de destinos domésticos atendidos no Brasil, com oito novas rotas. As primeiras aeronaves E2 devem ser recebidas no quarto trimestre de 2026.
Projeções para receita e caixa
A S&P espera que a relação entre fundos provenientes das operações (FFO) e dívida fique acima de 45% até 2028. A agência considerou o desempenho operacional, a geração de caixa, o crescimento da capacidade, a evolução das receitas e o controle de custos.
Para 2026, a projeção é de EBITDA ajustado de US$ 4,3 bilhões e receita de US$ 17,116 bilhões. Em 2025, a receita foi de US$ 14,265 bilhões, o que representa uma expansão de aproximadamente 20% na estimativa para este ano.
A companhia enfrentou uma alta de 80% no custo total dos combustíveis na comparação anual. Mesmo assim, a receita com passageiros cresceu 27,9% no segundo trimestre, enquanto a receita de passageiros por assento-quilômetro disponível (RASK) avançou 17,5%.
A oferta, medida por assentos-quilômetros disponíveis (ASK), deve crescer entre 9% e 10%, com taxas de ocupação próximas de 84%. A S&P projeta fluxo de caixa operacional livre de aproximadamente US$ 1,3 bilhão em 2026 e US$ 1,9 bilhão em 2027.
As margens EBITDA devem ficar entre 25% e 28% até 2028. A relação entre dívida ajustada e EBITDA é estimada entre 1,5 vez e 1,6 vez no período, enquanto o indicador entre FFO e dívida deve permanecer próximo de 50%.
Brasil entra na estratégia de crescimento
A S&P também avaliou o ambiente competitivo brasileiro. A Azul reduziu capacidade após deixar o processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, enquanto a Gol adotou uma estratégia de crescimento mais agressiva. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, a capacidade da Gol aumentou 11,7%.
No segundo trimestre, a taxa de ocupação da Latam no mercado doméstico brasileiro caiu 1,9 ponto percentual na comparação anual e ficou em 80,7%. A agência vai acompanhar se o aumento da oferta no país será convertido em crescimento rentável, com preservação das tarifas e das taxas de ocupação.
A expansão da frota será parcialmente financiada pelo fluxo de caixa operacional. Ainda assim, a dívida bruta, incluindo arrendamentos operacionais, deve crescer entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões de 2025 a 2028. A política financeira da empresa estabelece alavancagem líquida inferior a 2 vezes.
A diversificação das receitas também foi considerada na análise. O segmento premium respondeu por 29% da receita de passageiros no segundo trimestre de 2026, enquanto o ecossistema de fidelidade Latam Pass esteve associado a 67% dessa receita. A estrutura de custos e o transporte de cargas foram outros pontos destacados pela agência.
Nota, recompra e liquidez
A classificação das notas seniores garantidas da Latam com vencimento em 2030 e 2031 foi mantida em “BBB-”. O rating de recuperação continuou em “1”, associado a uma estimativa de recuperação de 95% do principal em um cenário de inadimplência.
Depois da melhora dos indicadores de crédito e da liquidez, a Latam aprovou um programa de recompra de até 5% do total de ações nos próximos cinco anos. A empresa já executa uma recompra equivalente a 1% das ações em circulação. A S&P espera que a remuneração aos acionistas seja equilibrada com os investimentos na renovação e na expansão da frota.
A agência classifica a liquidez da companhia como forte e estima que as fontes disponíveis cubram as necessidades financeiras em mais de 1,5 vez nos próximos 12 a 24 meses. A Latam também possui linhas de crédito e uma facilidade vinculada a motores que somam US$ 1,58 bilhão. Não há amortizações relevantes da dívida previstas antes de 2030.
A estrutura de capital posterior ao processo de reestruturação foi refinanciada integralmente, segundo o relatório. A empresa reduziu custos da dívida, ampliou e prorrogou linhas de crédito rotativas e voltou a ter ações negociadas na Bolsa de Nova York.
Condições para mudança da classificação
A perspectiva estável do rating “BB+” considera a expectativa de manutenção de desempenho operacional sólido e de FFO sobre dívida acima de 45% até 2028. No cenário-base, a S&P estima crescimento do PIB brasileiro de 1,8% em 2026, 1,7% em 2027 e 2,2% em 2028.
Para a inflação no Brasil, as projeções são de 4,7%, 4,1% e 3,7%, respectivamente. A cotação média do dólar é estimada em R$ 5,15 em 2026, R$ 5,25 em 2027 e R$ 5,35 em 2028.
Os investimentos previstos para a Latam somam US$ 2,3 bilhões neste ano, US$ 2 bilhões em 2027 e US$ 2,6 bilhões em 2028. Os recursos serão destinados ao crescimento, à manutenção, à modernização das aeronaves e a iniciativas de digitalização.
A S&P considera possível um rebaixamento se a relação entre FFO e dívida permanecer abaixo de 45%, se a margem EBITDA se afastar significativamente das projeções ou se houver deterioração da liquidez. Uma nova elevação nos próximos 12 meses é considerada pouco provável; entre as condições para isso estaria a manutenção do indicador em torno de 60%, inclusive em períodos de maior volatilidade econômica ou do setor aéreo.
Formada em 2012 pela combinação entre a chilena LAN Airlines e a brasileira TAM, a Latam Airlines Group atua em cinco mercados domésticos da América do Sul: Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Peru. O grupo atende 164 destinos em 28 países e tem uma frota de 383 aeronaves.







