SÃO PAULO — O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) vai adotar inteligência artificial para receber e analisar comunicações sobre movimentações financeiras suspeitas. O novo sistema tecnológico, previsto para ser implantado no ano que vem, deverá identificar padrões e tipologias de operações que possam indicar lavagem de dinheiro.
No ano passado, o órgão recebeu 7,5 milhões de comunicações de setores obrigados por lei a informar operações suspeitas. Entre eles estão bancos, corretoras, imobiliárias e cartórios. O Coaf filtra os dados, identifica indícios de crimes e prepara relatórios de inteligência financeira para a Polícia Federal, as polícias civis e os Ministérios Públicos estaduais.
O órgão não conduz investigações nem realiza ações nas ruas. Sua função é transformar informações do sistema financeiro em inteligência para apoiar as autoridades.
Como será a mudança
Segundo o presidente do Coaf, Ricardo Saadi, o sistema será responsável por receber as comunicações, analisá-las e encaminhá-las às autoridades. A plataforma também terá formulários padronizados para cada setor obrigado, substituindo o modelo atual, que conta com campos abertos.
Assim, bancos, corretoras e outros setores deverão informar dados específicos de acordo com a atividade. Para Saadi, a combinação entre informações mais organizadas e inteligência artificial deve melhorar a qualidade da análise.
“Hoje, não usamos IA”, afirmou o presidente do Coaf ao explicar o funcionamento atual. O órgão já utiliza sistemas de informática para tratamento de dados, filtragem e análise de risco, mas a identificação de padrões e tipologias ainda é feita manualmente.
A declaração ocorreu na semana passada, durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo. Saadi afirmou que a nova plataforma contará com uma das mais modernas inteligências artificiais do mundo.
Expansão do Coaf
O órgão também está ampliando sua estrutura. O número de pessoas deve passar de 100 para 200 até o final do ano. O plano inclui a abertura de escritórios em São Paulo, no Rio e em Foz do Iguaçu, além da criação de uma diretoria de cooperação internacional e de uma área voltada a eventos e treinamentos.
De acordo com Saadi, a expansão ocorre porque as autoridades passaram a reconhecer a importância da investigação financeira para compreender a estrutura das organizações criminosas e identificar seus bens, direitos e valores desde o início das apurações.
O presidente também destacou a aproximação com os setores privados, responsáveis por enviar os dados usados nos relatórios. Sobre a Operação Carbono Oculto, ele afirmou que seus efeitos foram indiretos: Banco Central e Receita Federal regulamentaram setores que passaram a gerar comunicações ao Coaf, incluindo as fintechs.







