A Suécia passou a calcular suas aposentadorias com base no que cada pessoa acumulou durante a vida profissional e na expectativa de vida. A mudança começou a ser implementada em 1999, depois que o Parlamento aprovou, em 1994, os princípios de uma reforma que substituiu gradualmente o modelo anterior.
O sistema antigo reunia uma pensão básica e o ATP, ligado aos rendimentos. Com o aumento da expectativa de vida e a desaceleração econômica, as contas previdenciárias ficaram sob pressão. A resposta foi criar um modelo de contribuição definida, no qual o benefício tende a acompanhar o histórico de contribuições.
Dois caminhos para as contribuições
O sistema público sueco combina uma conta previdenciária virtual, financiada pelo regime de repartição, com uma parcela aplicada efetivamente em fundos. Ao todo, 18,5% da renda previdenciária são destinados ao sistema público.
Desse percentual, 16% vão para a chamada pensão de renda. Outros 2,5% são direcionados à pensão por prêmio, que conta com aplicação financeira. A estrutura também considera a expectativa de vida no cálculo, relacionando as mudanças demográficas ao valor das aposentadorias.
A lógica é direta: quem contribui mais e permanece trabalhando por mais tempo tende a formar um direito previdenciário maior. O desenho busca tornar o cálculo mais transparente e limitar o impacto do envelhecimento populacional sobre as contas públicas.
Efeito desigual entre trabalhadores
Apesar da previsibilidade, os resultados podem variar entre os grupos. Estudos indicam que trabalhadores mais qualificados e com maior escolaridade podem ter mais condições de prolongar a carreira. Já pessoas em ocupações de baixa qualificação podem enfrentar efeitos menos favoráveis.
A reforma também transfere parte do risco para o trabalhador. Tempo de contribuição, trajetória salarial, idade de aposentadoria e expectativa de vida passam a ter peso decisivo no benefício.
A experiência sueca se tornou uma referência por vincular automaticamente o sistema à evolução demográfica e econômica, reduzindo a dependência de mudanças políticas periódicas. Ainda assim, o modelo não elimina conflitos nem funciona necessariamente como uma fórmula pronta para outros países: sua adoção exigiria adaptações.







