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Investigação aponta gastos de R$ 2 milhões em imóvel de delegado

Gaeco investiga Hoffman D’Ávila Cândido por desvio de drogas e lavagem de dinheiro a partir da compra e construção de uma casa de luxo.

Investigação aponta gastos de R$ 2 milhões em imóvel de delegado
Foto: Paulo Francis/Arquivo

O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul Hoffman D’Ávila Cândido é investigado pelo Gaeco por supostamente liderar o núcleo policial de uma organização criminosa que desviava drogas para venda ilegal. De acordo com a investigação, ele comprou um terreno por R$ 400 mil em dinheiro vivo e construiu uma casa estimada em R$ 1.649.085 no condomínio Alphaville I, na Rua Cambacina.

A compra do terreno ocorreu em 2024, no mesmo período em que o grupo teria desviado drogas em Bela Vista. Mais de R$ 1,2 milhão da construção foi pago entre março de 2025 e abril de 2026. O Ministério Público apontou incompatibilidade entre os gastos e os rendimentos declarados pelo delegado, que informou ter recebido R$ 519.356,56 em 2025. Em 2023, ele havia declarado renda de R$ 100 mil.

Planilhas encontradas nos aparelhos eletrônicos de Hoffman detalharam despesas de R$ 300 mil com madeiras, R$ 190 mil com eletrodomésticos da Elettromec, R$ 170 mil com automação, R$ 89 mil com elevador, R$ 81 mil com ar-condicionado e R$ 21,5 mil com churrasqueira. O delegado também comprou, em 2025, um Honda HR-V e uma Toyota Hilux. Juntos, os veículos custaram mais de R$ 400 mil.

Empréstimo investigado

Para justificar parte do aumento patrimonial, Hoffman declarou ter tomado um empréstimo de R$ 750 mil da W Martins Representações e Comércio de Artigos de Mercearia LTDA. O Gaeco vê indícios de que a operação teria sido usada para mascarar a entrada de dinheiro ilegal e compatibilizar os valores com a situação fiscal.

A empresa, registrada em Brasília, no Distrito Federal, não atua com empréstimos e financiamentos e tem capital social de R$ 20 mil. Ela foi considerada inapta em maio de 2026 por omissão de declarações. A investigação também não identificou entrada do valor nas contas do delegado nem pagamentos de amortização da dívida.

O policial civil Douglas Tobias, apontado como subordinado de Hoffman, também é investigado. Ele é sócio da Ateliê Raro Fabricação e Comércio de Móveis, que recebeu três transferências via Pix do delegado em 2025, totalizando R$ 75 mil. Foram identificados ainda 151 depósitos em dinheiro sem origem comprovada na conta de Douglas, no total de R$ 337.485,00, e 53 depósitos na conta da empresa, somando R$ 151.643,00, entre 2021 e 2026.

Hoffman ocupou a titularidade da Denar até fevereiro deste ano. Ele foi preso na Operação Infiltrados, que cumpriu 64 ordens judiciais: 24 prisões preventivas, duas prisões temporárias e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Durante as buscas, o delegado não foi localizado em casa. No final da tarde de quinta-feira, apresentou-se à Corregedoria da Polícia Civil e deveria passar por audiência de custódia no sábado (26). Nesta sexta-feira (25), a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul oficializou o afastamento compulsório dele e de 7 investigadores presos preventivamente. As portarias têm efeito retroativo à quinta-feira (24).

A Sejusp informou que os servidores afastados responderão a processos administrativos disciplinares na Corregedoria, independentemente do andamento das ações penais na Justiça. Os procedimentos podem resultar em demissão do serviço público.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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