O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul Hoffman D’Ávila Cândido é investigado pelo Gaeco por supostamente liderar o núcleo policial de uma organização criminosa que desviava drogas para venda ilegal. De acordo com a investigação, ele comprou um terreno por R$ 400 mil em dinheiro vivo e construiu uma casa estimada em R$ 1.649.085 no condomínio Alphaville I, na Rua Cambacina.
A compra do terreno ocorreu em 2024, no mesmo período em que o grupo teria desviado drogas em Bela Vista. Mais de R$ 1,2 milhão da construção foi pago entre março de 2025 e abril de 2026. O Ministério Público apontou incompatibilidade entre os gastos e os rendimentos declarados pelo delegado, que informou ter recebido R$ 519.356,56 em 2025. Em 2023, ele havia declarado renda de R$ 100 mil.
Planilhas encontradas nos aparelhos eletrônicos de Hoffman detalharam despesas de R$ 300 mil com madeiras, R$ 190 mil com eletrodomésticos da Elettromec, R$ 170 mil com automação, R$ 89 mil com elevador, R$ 81 mil com ar-condicionado e R$ 21,5 mil com churrasqueira. O delegado também comprou, em 2025, um Honda HR-V e uma Toyota Hilux. Juntos, os veículos custaram mais de R$ 400 mil.
Empréstimo investigado
Para justificar parte do aumento patrimonial, Hoffman declarou ter tomado um empréstimo de R$ 750 mil da W Martins Representações e Comércio de Artigos de Mercearia LTDA. O Gaeco vê indícios de que a operação teria sido usada para mascarar a entrada de dinheiro ilegal e compatibilizar os valores com a situação fiscal.
A empresa, registrada em Brasília, no Distrito Federal, não atua com empréstimos e financiamentos e tem capital social de R$ 20 mil. Ela foi considerada inapta em maio de 2026 por omissão de declarações. A investigação também não identificou entrada do valor nas contas do delegado nem pagamentos de amortização da dívida.
O policial civil Douglas Tobias, apontado como subordinado de Hoffman, também é investigado. Ele é sócio da Ateliê Raro Fabricação e Comércio de Móveis, que recebeu três transferências via Pix do delegado em 2025, totalizando R$ 75 mil. Foram identificados ainda 151 depósitos em dinheiro sem origem comprovada na conta de Douglas, no total de R$ 337.485,00, e 53 depósitos na conta da empresa, somando R$ 151.643,00, entre 2021 e 2026.
Hoffman ocupou a titularidade da Denar até fevereiro deste ano. Ele foi preso na Operação Infiltrados, que cumpriu 64 ordens judiciais: 24 prisões preventivas, duas prisões temporárias e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Durante as buscas, o delegado não foi localizado em casa. No final da tarde de quinta-feira, apresentou-se à Corregedoria da Polícia Civil e deveria passar por audiência de custódia no sábado (26). Nesta sexta-feira (25), a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul oficializou o afastamento compulsório dele e de 7 investigadores presos preventivamente. As portarias têm efeito retroativo à quinta-feira (24).
A Sejusp informou que os servidores afastados responderão a processos administrativos disciplinares na Corregedoria, independentemente do andamento das ações penais na Justiça. Os procedimentos podem resultar em demissão do serviço público.







