CAMPO GRANDE — Integrantes da Casa de Pena Verde e Caboclo Boiadeiro fizeram uma limpeza no Cemitério das Três Barras antes de realizar um ritual na chamada Calunga. A mãe de santo Aryadne Gonçalves e outros sete integrantes encontraram restos de oferendas, garrafas, vidros quebrados e animais mortos no espaço.
A situação foi identificada antes de um trabalho espiritual. Segundo Aryadne, não havia condições de realizar o ritual sem cuidar primeiro do local. No domingo, o grupo se concentrou principalmente na região do Cruzeiro, onde havia sujeira acumulada.
Lixo recolhido no cemitério
Ao todo, foram retirados cerca de 10 sacos de lixo de 100 litros. Entre os materiais recolhidos estavam garrafas de vidro e plástico, recipientes usados em oferendas, bitucas de cigarro e charuto e restos de animais.
“Quando você vai fazer uma obrigação, uma oferenda, você tem que, acima de tudo, respeitar o campo santo e respeitar a natureza”, explica Aryadne.
Para a mãe de santo, a Calunga também representa transformação, renascimento e limpeza energética dentro da tradição seguida pelo terreiro. O grupo trabalha com a chamada Linha das Almas e mantém uma relação de respeito com o cemitério e com as almas que, segundo a crença, permanecem no local.
Depois da limpeza, os integrantes voltaram ao cemitério na sexta-feira para realizar o trabalho espiritual. Eles também levaram um saco para recolher os materiais produzidos durante o ritual que não deveriam ficar no espaço.
No dia seguinte, porém, a sujeira apareceu novamente. Aryadne afirmou que encontrou lixo jogado no local e disse que pretende continuar realizando novas limpezas, possivelmente uma vez por mês ou a cada dois meses, conforme a agenda.
A mãe de santo também relaciona a preservação do espaço ao combate a preconceitos contra religiões de matriz africana. Para ela, mostrar conduta, ética e união pode ajudar a apresentar a essas religiões uma perspectiva diferente daquela associada somente ao lado negativo.







