CAMPO GRANDE — Vídeos de tarô no TikTok costumam apresentar mensagens para muitas pessoas ao mesmo tempo, mas podem causar a sensação de que as cartas foram tiradas especialmente para quem está assistindo. É daí que surgem comentários como “Falou comigo!” e “bateu tudo”.
A taróloga Daniele Ramos acompanha esse comportamento e explica que grande parte do conteúdo publicado nas redes sociais é formada por leituras coletivas. A mesma mensagem chega a um grupo enorme de pessoas. Para algumas, ela não faz sentido. Para outras, parece conversar com problemas e situações pessoais.
O papel do momento de quem assiste
Daniele afirma que a identificação depende também da intenção de quem vê o vídeo. A pessoa pode estar pensando em uma dificuldade, procurando uma resposta ou apenas curiosa sobre o futuro. Quando uma frase se relaciona ao que ela está vivendo, ocorre o que a taróloga chama de encaixe perfeito.
“Se é aquele momento que você está precisando ouvir uma mensagem e você entra naquela sintonia, naquela frequência, a mensagem é para você”, afirma Daniele.
Isso não quer dizer que toda leitura coletiva seja uma previsão individual. De acordo com a taróloga, a mensagem pode fazer sentido para algumas pessoas e não para outras. Quem busca uma análise específica pode recorrer a uma consulta individual, capaz de aprofundar a situação.
O algoritmo do TikTok também influencia o que aparece na tela. Usuários que passam bastante tempo vendo conteúdos sobre tarô, espiritualidade, relacionamentos ou signos tendem a receber mais vídeos desses temas. Assim, a aparição de uma cartomante pode parecer uma coincidência enviada pelo universo, quando o aplicativo apenas reconheceu o interesse pelo assunto.
Para Daniele, porém, a ação do algoritmo não elimina a possibilidade de uma conexão intuitiva. Ela conta que já sentiu necessidade de fazer uma leitura e publicá-la sem saber quem a receberia. Depois, pessoas disseram que a mensagem tinha relação com suas vidas.
O que significa “acertar”
A taróloga diz que não é possível estabelecer uma porcentagem fixa de acerto para esse tipo de conteúdo. Na visão dela, quando alguém se conecta de verdade com a mensagem, a identificação pode ser total: “Para quem se conectou realmente com aquela mensagem, vai bater 100%”.
Daniele começou a se interessar por assuntos místicos na infância. Por volta dos 30 anos, em 2019, passou a estudar mais profundamente autoconhecimento, leis universais, espiritualidade e tarô.
Hoje, ela vê as cartas menos como uma sentença sobre o futuro e mais como uma ferramenta de orientação. Para a taróloga, o tarô pode ajudar a trazer clareza e indicar possibilidades relacionadas à própria vida e ao subconsciente.








