PARIS — A polícia prendeu nesta segunda-feira 10 estudantes do ensino médio na região de Alpes-Maritimes, no sul da França, durante protestos que começaram em escolas da região de Paris e chegaram a outras áreas do país. Segundo o governo regional, eles são suspeitos de atear fogo, lançar projéteis e cometer outros atos violentos. Dois estudantes ficaram feridos.
As manifestações interromperam aulas e passaram a ser disputadas por políticos de diferentes correntes, que buscam pautas com apelo eleitoral antes da eleição presidencial da próxima primavera. Os alunos reclamam da deterioração das escolas, da falta de professores e da carga horária pesada.
Troca de acusações
Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical e um dos principais pré-candidatos à Presidência, defendeu os estudantes nesta segunda-feira, 28. Ele acusou o governo de Sébastien Lecornu de reprimir os manifestantes com “ferocidade” e com “um tom inequivocamente racista”. Também pediu que apoiadores do França Insubmissa se envolvessem nos protestos.
Lecornu afirmou que a acusação de racismo “é um insulto”. O primeiro-ministro disse que estudantes, funcionários e policiais têm direito à segurança, proteção e respeito durante o exercício de suas funções. Ele também criticou os ataques a agentes que, segundo sua mensagem, protegem os alunos.
A troca ocorreu nas redes sociais em um momento de pressão sobre as finanças francesas e de forte disputa no Parlamento. Lecornu tenta obter apoio para aprovar o Orçamento de 2027, enquanto o governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta oposição e resistência aos cortes de gastos propostos. Os custos elevados da energia e outras despesas também pressionam os orçamentos das famílias.
Disputa eleitoral
Mélenchon tem 75 anos e terminou em terceiro lugar na eleição presidencial de 2022 e em quarto em 2017 e 2012. Ele espera passar do primeiro turno, marcado para 18 de abril, e chegar ao segundo turno, em 2 de maio. O eleitorado mais jovem pode ser importante para sua campanha. Macron não pode disputar um terceiro mandato consecutivo porque a Constituição não permite.








