Os preços da energia negociada no mercado livre estão em queda, mas as projeções para os próximos meses apontam possibilidade de alta entre dezembro e o primeiro trimestre de 2027. A avaliação está ligada à expectativa de chuvas mais irregulares no Sudeste e no Centro-Oeste, regiões importantes para os reservatórios das hidrelétricas.
Na plataforma BBCE, o megawatt-hora para setembro era negociado na casa dos R$ 147 por megawatt-hora (MWh), abaixo dos R$ 164/Mwh registrados no fechamento da semana passada (4). Para outubro, o valor chegou a R$ 162/MWh, ante R$ 193/MWh no relatório semanal mais recente.
A energia para dezembro estava na casa dos R$ 262 por MWh, abaixo dos R$ 273/MWh da sexta-feira passada. Já o contrato para o primeiro trimestre de 2027 foi negociado a R$ 288/MWh, depois de atingir R$ 300.
Chuvas ajudam os reservatórios no curto prazo
As precipitações observadas no Sudeste e no Centro-Oeste nos primeiros 10 dias de setembro, somadas às previstas até o fim do mês, indicam a configuração do período úmido nessas regiões. Com isso, os níveis dos reservatórios das hidrelétricas podem permanecer praticamente estáveis, em patamar considerado confortável até o fim de setembro.
O meteorologista da Climatempo Gustavo Verardo afirma que o El Niño deve reforçar as chuvas no começo da estação úmida, mas que a distribuição tende a ficar mais irregular perto do fim do ano e no começo do próximo. A previsão de mais dias sem chuva no Sudeste e no Centro-Oeste, junto de temperaturas mais elevadas em boa parte do país, pode aumentar a carga do sistema.
A probabilidade de o El Niño ser muito forte passa de 90%, e especialistas apontam 75% de chances de o fenômeno alcançar intensidade histórica.
Previsões divergem sobre a continuidade
O head de Planejamento Energético da Tempo OK, Mateus Nunes, prevê redução dos volumes de chuva no Sudeste e no Centro-Oeste. Para ele, a seca esperada no Norte e no Nordeste por causa do El Niño pode tornar mais complexa a operação do sistema elétrico e ampliar a volatilidade dos preços.
A distribuição prevista também muda ao longo dos meses: setembro deve favorecer reservatórios do Sudeste; em outubro, a chuva tende a alcançar mais os reservatórios de fio d’água; em novembro, pode ficar mais concentrada na Bacia do Iguaçu, até a altura do estado do Paraná.
Já o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, vê continuidade das chuvas no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. As projeções dele indicam precipitações acima do normal até dezembro em São Paulo, no centro-sul de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em Mato Grosso do Sul.
O especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, destaca que cerca de 75% da Energia Natural Afluente (ENA) prevista para outubro no Sudeste e no Centro-Oeste está concentrada na bacia do Paraná. Uma interrupção das chuvas durante um mês, segundo ele, poderia fazer o preço voltar a subir.








