O economista José Luís Oreiro, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a combinação entre uma meta de inflação de 3% ao ano e juros elevados prejudica o desenvolvimento brasileiro e pode dificultar o controle dos preços no futuro.
Na avaliação de Oreiro, o sistema de metas não considera a forma como a economia do país reajusta preços. Nos últimos 27 anos, a média do IPCA acumulado em 12 meses ficou acima de 5,5%. Aluguéis, tarifas públicas, mensalidades escolares e salários costumam ser reajustados com base na inflação passada, e não apenas na meta definida para o período seguinte.
Por isso, o economista considera que tentar conduzir a inflação para 3% em uma economia acostumada a remarcar preços em torno de 5% ou 6% aumenta a probabilidade de descumprimento da meta. Para ele, quando o Conselho Monetário Nacional estabelece um objetivo distante das condições produtivas do país, o Banco Central fica sujeito a falhar repetidamente.
Efeitos dos juros sobre a produção
Oreiro também contesta a ideia de que a manutenção da taxa Selic em níveis muito altos seja necessária para recuperar a credibilidade da autoridade monetária. Segundo o professor, juros elevados por períodos prolongados encarecem o crédito, reduzem os investimentos e fazem empresas adiarem projetos de modernização e inovação.
O economista relaciona ainda o desemprego e o subemprego prolongados à perda de qualificações dos trabalhadores. Na sua análise, a redução dos investimentos limita a capacidade de produção da indústria e dos serviços. Com menos oferta disponível, uma eventual retomada da demanda pode encontrar gargalos e pressionar novamente os preços.
A crítica de Oreiro se estende aos efeitos distributivos da política monetária. Para ele, juros reais elevados favorecem detentores de capital financeiro e intermediários de títulos da dívida pública, enquanto aumentam os custos para empresas, trabalhadores e cofres públicos. O professor afirma que o pagamento de juros da dívida alcança centenas de bilhões de reais.
Como alternativa, Oreiro propõe ajustar a meta de inflação para um nível que considere mais viável, como 4% ou 4,5%, além de enfrentar os mecanismos de indexação de preços e tarifas. Na visão do economista, essa mudança permitiria aproximar a política monetária das condições estruturais da economia brasileira.







