PERNAMBUCO — A Polícia Federal apreendeu materiais que podem ajudar a esclarecer uma suposta articulação para alterar o domicílio eleitoral de moradores de outras cidades. A Operação Mendazes foi deflagrada na manhã desta terça-feira (22) e investiga transferências realizadas durante as eleições municipais de 2024 para uma cidade da Mata Sul de Pernambuco, cujo nome não foi divulgado.
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e institucionais. As medidas, autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, alcançaram dependências de uma prefeitura e de órgãos públicos relacionados aos investigados.
Documentos e requerimentos
A apuração aponta que eleitores sem vínculo que justificasse a mudança teriam sido levados a transferir seus títulos para a localidade investigada. Para isso, os suspeitos teriam recebido documentos pessoais e fotografias, produzido comprovantes de residência falsos e protocolado os pedidos usando a rede institucional do poder executivo municipal.
A Polícia Federal afirma que a possível finalidade era “ampliar artificialmente o contingente de eleitores aptos a votar no município nas eleições municipais de 2024”. A corporação também apura sinais de coordenação para inserir e confirmar informações no sistema eleitoral.
A investigação começou a partir de uma notícia de fato encaminhada à Procuradoria Regional Eleitoral de Pernambuco. Entre os elementos reunidos estão áudios submetidos a exame pericial, certidões, depoimentos, registros fotográficos e dados técnicos associados ao endereço de protocolo ligado à rede institucional municipal.
Material apreendido
Os mandados tiveram como objetivo localizar celulares, computadores, comprovantes de endereço, requerimentos de alistamento ou transferência eleitoral, listas, anotações e outros documentos ou dispositivos relacionados ao caso.
Após a operação, a análise do material deverá ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos, a extensão das condutas investigadas, a finalidade das transferências e uma eventual participação de outras pessoas, informou a PF.
O nome Mendazes faz referência ao caráter supostamente fraudulento dos documentos que teriam sido usados nos pedidos de transferência eleitoral.








