Telma Regina da Silva, de 64 anos, esperou mais de cinco décadas para aprender mecânica. Luciene Novaes, 31, chegou ao curso depois de passar por formações em marcenaria, eletricidade e solda. As duas estão entre as 40 mulheres inscritas em uma turma de Mecânica Básica Automotiva, criada para ampliar a autonomia no cuidado com o próprio carro.
A oportunidade retomou para Telma uma curiosidade que começou quando ela tinha por volta de 10 anos. Um dos tios trabalhava com tratores, e ela acompanhava o serviço sempre que podia. Lavava peças e ajudava em pequenas tarefas, mas não teve a chance de aprender mecânica naquela época. Outro tio, que também era mecânico, chegou a permitir que ela participasse da montagem do motor de um Fusca.
Depois, Telma se casou jovem, teve filhos e trabalhou. A possibilidade de voltar ao interesse antigo apareceu por meio de uma colega do Cras onde atua. Ao saber da turma para mulheres, a colega avisou Telma, que conseguiu uma das últimas vagas.
“Fiquei muito feliz quando tive essa oportunidade. Aí agora foi a minha vez. Falei: ‘Eu vou conseguir agora’. Então estou aqui, quero aprender”, disse Telma. Ela também começou a faculdade de Gestão Pública e pensa em seguir para Serviço Social. No curso, quer entender melhor o que acontece com seu veículo e depender menos de outras pessoas diante de problemas simples.
Luciene, servidora pública, calcula estar chegando à sexta formação. A decisão de estudar mecânica também veio de experiências como motorista. Ela conta que já deixou uma oficina com a impressão de ter pagado mais do que deveria por não conhecer o suficiente para questionar o serviço.
“Lugar de mulher é onde ela quer”, afirmou Luciene. Ela pretende aprender a reconhecer problemas básicos, verificar água e fluidos, trocar um estepe e explicar com mais precisão o que percebeu no carro ao procurar uma oficina.
As aulas têm 20 horas e incluem o significado das luzes vermelhas, amarelas e verdes do painel, noções sobre o funcionamento do motor, o período correto para a troca de óleo e a substituição de pastilhas de freio. O instrutor Daniel Damazio explica que parte do conteúdo será ensinada na prática, dentro da oficina.
A formação pode atender tanto quem deseja cuidar melhor do próprio veículo quanto quem vê na área uma possibilidade profissional. Segundo Daniel, o curso básico também pode ser o primeiro contato com a mecânica antes de formações técnicas e outros aperfeiçoamentos.
A turma está completa, e o Senai já mantém interessadas em uma lista de espera para uma nova edição. A coordenadora de educação profissional, Camila Salles, afirma que a presença de mulheres em cursos ligados historicamente ao público masculino deixou de ser exceção na instituição. Neste mês, também foram abertas formações para mulheres nas áreas de construção e fabricação de móveis.
O curso segue até 30 de outubro, com aulas às sextas-feiras, das 18h30 às 21h45, na Fatec Senai, na Rua Engenheiro Roberto Mange, 194, Bairro Amambaí. Informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 99985-3600.








