RECIFE — Agricultores e agricultoras de Pernambuco vão apresentar a representantes do Quênia tecnologias sociais usadas para armazenar água, produzir alimentos e conviver com o semiárido. O intercâmbio começa na segunda-feira (5) e inclui atividades em Pesqueira, Buíque, Carnaíba, Afogados da Ingazeira, Tabira e Tuparetama.
A programação é realizada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em conjunto com o Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Cerca de 30 pessoas participam da missão técnica, que reúne integrantes da Autoridade Nacional de Gestão de Secas, do Ministério da Educação, do Ministério do Trabalho e Proteção Social, do Tesouro Nacional do Quênia e do escritório do Programa Mundial de Alimentos (PMA) no país.
Roteiro começa com experiências comunitárias
O Programa Cisternas será apresentado na prática durante as visitas. A política, criada em 2003, utiliza tecnologias sociais de baixo custo para ampliar o acesso à água destinada ao consumo humano e à produção de alimentos. A iniciativa constrói reservatórios de 16 mil e 52 mil litros e já beneficia mais de 1,4 milhão de famílias.
A abertura ocorreu na sede da Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC), no Recife. Na terça-feira (6), a delegação seguirá para comunidades, escolas rurais e unidades produtivas acompanhadas pela Diaconia, pela Cáritas Diocesana de Pesqueira, pela Casa da Mulher do Nordeste e pelo Centro Diocesano de Apoio ao Pequeno Produtor (Cedapp).
Em Pesqueira, no território indígena Xukuru, o grupo conhecerá a experiência de Fabiana Patrícia da Silva com uma cisterna para consumo humano. Também estão previstas visitas à Casa de Sementes Mãe Zenilda Xukuru, a um laboratório de plantas medicinais, a uma agrofloresta e a áreas em recuperação. Em Buíque, Abel e Iraci Santiago mostrarão a produção de hortaliças, frutas e plantas ornamentais.
Produção, energia e educação no campo
Na quarta-feira (7), em Carnaíba, a comitiva visitará o Sítio Mata Verde, de José Edson e Rosana Souza. Desde 2024, a família usa uma cisterna de 52 mil litros para produzir alimentos, criar pequenos animais e fabricar queijo e manteiga de gado.
O roteiro também passa pelo Sítio Quintas, onde Patrícia Nunes apresentará a combinação entre cisternas e Fomento Rural. No local, o grupo de mulheres Rosa do Sertão fará uma conversa sobre coleta seletiva. Depois, Cleonice Martins mostrará sistemas de tratamento de esgoto com produção de biogás e geração de energia solar. A agricultora ainda mantém sementes crioulas e vende produtos agroecológicos ao Pnae e ao PAA.
Em Afogados da Ingazeira, na comunidade Carapuça, a Escola Municipal Levino Cândido será outro ponto da visita. Construída há 77 anos, a unidade passou a utilizar uma cisterna de 52 mil litros e mantém uma horta pedagógica.
Na quinta-feira (8), em Tabira, os participantes acompanharão a construção de uma cisterna-calçadão, conhecida como “segunda água”. Entre Tuparetama e Afogados da Ingazeira, Ivan Monteiro apresentará uma propriedade onde produz sem veneno com apoio de uma cisterna de 16 mil litros e de uma barragem subterrânea.
O encerramento será na sexta-feira (9), na sede da AP1MC, no Recife. O grupo fará uma avaliação dos aprendizados e identificará práticas que podem ser adaptadas à realidade institucional e territorial do Quênia. Para Waneska Bonfim, coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), a troca ajuda a fortalecer a convivência com o semiárido e o diálogo sobre água e produção de alimentos.








