Mato Grosso do Sul registrou 130 mortes em confrontos com a polícia em 2026, segundo estatísticas da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O número é o segundo maior da série histórica iniciada em 2016 e está atrás apenas de 2023, quando foram contabilizados 131 óbitos.
O levantamento considera ocorrências classificadas como “Morte por intervenção Legal de Agente do Estado”. O menor número da série foi registrado em 2020, com 30 casos.
Agosto concentrou mais mortes
Agosto foi o mês com mais registros em 2026: 30 mortes em 31 dias. Os dados da Sejusp incluem óbitos que acontecem depois da intervenção policial, enquanto o levantamento contabiliza as mortes ocorridas no local.
No dia 6, Adrian Nunes Lima, de 21 anos, morreu após ser baleado por policiais dentro do cômodo onde morava, na Rua Paranapebas, no Jardim Colúmbia, em Campo Grande. As equipes haviam sido acionadas pelo Centro Integrado de Operações de Segurança para atender uma ocorrência de vias de fato.
Conforme o registro policial, Adrian fugiu para o terreno onde ficava o imóvel e recebeu ordem para sair. Ainda segundo o relato oficial, ele teria avançado contra os agentes com uma faca. Os policiais fizeram três disparos de submetralhadora .40. Atingido no tórax, o rapaz foi levado ao Centro Regional de Saúde Nova Bahia, mas morreu.
Em 31 de agosto, três pessoas morreram durante uma ação da Polícia Militar em uma rodovia de Coxim. Dois homens e uma mulher estavam em um Chevrolet Monza azul, na BR-359. A corporação afirmou que eles eram suspeitos de tentar matar um homem de 33 anos no mesmo dia.
Na noite de 12 de agosto, Gyovana Freitas Guarienti, de 27 anos, e Jhonatan Mariano Souza dos Santos, de 25 anos, morreram após serem baleados por policiais na BR-376, em Ivinhema. Segundo a PM, o casal apontou armas para os agentes após uma ordem de parada. Os dois foram levados ao Hospital Municipal de Ivinhema, mas não resistiram.
Casos contestados e mortes em Corumbá
Familiares de Claudinei Borgert, de 39 anos, contestaram a versão da PM sobre a morte dele durante uma abordagem no bairro Santa Júlia, em Três Lagoas. A família afirmou que não houve confronto e que ele não atirou contra os policiais. A corporação disse que Claudinei reagiu à abordagem e disparou contra equipes da Força Tática e do Grupo Especializado Tático em Motocicletas.
Em 30 de junho, o soldado da PM Marcelo Pimenta da Silva morreu após ser atingido por um tiro de fuzil durante uma abordagem em Corumbá, na fronteira com a Bolívia. Nos cinco dias seguintes, seis pessoas morreram em confrontos com policiais. Entre os mortos estão Everton da Silva Viana, Rubens Zilo Neto, Luis David Justiniano Flores, Alixberto Vasquez Corrales e Marlon de Souza Silva.
O titular da Sejusp, Antônio Carlos Videira, associou o cenário ao avanço das facções criminosas no estado, que faz fronteira com Paraguai e Bolívia. “Os nossos policiais estão treinados para repelir esta injusta agressão”, afirmou Videira.








