MATO GROSSO DO SUL — O Governo de Mato Grosso do Sul iniciou um levantamento para identificar as estradas rurais do Estado e avaliar as condições de cada trecho antes da próxima temporada de chuvas. A iniciativa foi criada pelo Decreto nº 16.802, publicado no Diário Oficial.
O trabalho será conduzido por um Grupo de Trabalho Interinstitucional, responsável por formar uma base de dados georreferenciada dos acessos e das estradas rurais dos 79 municípios sul-mato-grossenses. O grupo terá 180 dias, contados a partir da instalação, para entregar um relatório final ao governador. O prazo poderá ser prorrogado por igual período.
A proposta é reunir informações sobre a localização das vias, o tamanho dos trechos, as propriedades relacionadas a cada acesso e as condições de passagem. Também serão analisadas a natureza, a extensão, a trafegabilidade e a vinculação dos caminhos com imóveis rurais cadastrados.
Dados para orientar investimentos
De acordo com o decreto, o levantamento deve apoiar o planejamento territorial, a gestão da infraestrutura e a execução coordenada de políticas públicas estaduais. O documento também considera o conhecimento detalhado das estradas um instrumento para orientar decisões de investimento no meio rural.
As informações serão cruzadas com bases já existentes, entre elas o cadastro estadual de propriedades rurais, o CAR-MS (Cadastro Ambiental Rural de Mato Grosso do Sul) e as malhas viárias estadual e federal. A base também poderá registrar a abertura de novos acessos, mudanças em caminhos já existentes e a retirada de estradas que deixaram de ser usadas.
Participam do grupo representantes da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), da Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística), da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) e do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).
A necessidade do diagnóstico ficou evidente no Pantanal do Paiaguás no início deste ano. Moradores de propriedades rurais entre Sonora e Coxim relataram isolamento depois que a água cobriu o aterro da MS-214, conhecida como Transpantaneira Paiaguás. Construída em uma área naturalmente alagável, a estrada foi tomada pela cheia após semanas de chuva.
Na ocasião, o pecuarista Kin Monteiro Hindebrand afirmou: “Nem comida está chegando para eles”. O decreto não anuncia obras imediatas nem uma operação de recuperação das estradas. A expectativa do governo é que o diagnóstico indique os principais gargalos e sirva de base para futuras ações de infraestrutura e manutenção.







