PARIS — A relação entre religião e espaço público esteve no centro da passagem do papa Leão XIV pela França. Diante do presidente Emmanuel Macron, o pontífice afirmou que a laicidade não significa retirar a religião da vida pública. O tema é alvo de tensão no país, oficialmente laico, especialmente por causa do uso do véu islâmico.
Leão XIV também visitou a Casa Bakhita, associação católica de apoio a migrantes, onde ouviu relatos de exilados do Afeganistão e da Nigéria. “É possível nos encontrarmos e convivermos com dignidade e paz”, disse o papa ao iniciar a visita. Para os responsáveis pelo centro, a presença do pontífice teve significado em um período pré-eleitoral.
A agenda ocorreu durante a primeira visita de um papa a Paris desde Bento XVI, em 2008. Antes da missa que encerrou a passagem pela capital francesa, Leão XIV percorreu a Champs-Elysées de papamóvel e parou para abençoar bebês. O público acompanhou o trajeto com aplausos e bandeiras do Vaticano.
A celebração reuniu cerca de 800.000 pessoas na Praça da Concórdia e na Champs-Elysées, segundo o Vaticano. Trezentas mil pessoas haviam acompanhado a chegada do pontífice pelas ruas de Paris, enquanto 80.000 jovens participaram de uma vigília no Stade de France.
Na homilia, o papa falou sobre a “sede de sentido, de verdade e de plenitude” presente no coração das pessoas. Também afirmou que os jovens são a Igreja de hoje. Ao redor da celebração, famílias fizeram piqueniques, crianças coloriram desenhos do pontífice e fiéis tiraram fotos em grupo.
A organização determinou que a associação feminista católica Magdala recolhesse uma faixa violeta com uma mensagem sobre justiça e o acolhimento pleno das mulheres na Igreja. Entre os presentes estavam Marine Le Pen, Jordan Bardella, Édouard Philippe e Gabriel Attal. Macron não participou da missa, mas publicou na rede social X que a França tinha orgulho de receber o papa.
Depois da celebração, Leão XIV seguiu para o santuário de Lourdes. Diante da gruta de Massabielle, pediu à Virgem de Lourdes que concedesse à França governantes sábios e generosos, capazes de enfrentar os desafios e servir ao bem comum.
O pontífice ainda se reunirá em privado com vítimas de agressões sexuais no interior da Igreja. A viagem será concluída na segunda-feira (28), em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.








