CAMPO GRANDE — Três jacarandás-mimosos chamam a atenção de quem passa pelo cruzamento da Avenida Tiradentes com a Rua Eldorado, na Vila Anahy. Durante a primavera, as árvores exibem flores em tons lilases, arroxeados e azulados, o que faz muita gente confundi-las com ipês-roxos.
O biólogo José Milton Longo, especialista em Ecologia e Conservação, explica que a espécie encontrada na arborização de Campo Grande é originária da Mata Atlântica e de áreas de transição com o Cerrado. O parentesco com os ipês contribui para a semelhança percebida pelos moradores.
Além de colorir as ruas, os jacarandás colaboram com o sequestro de carbono, ajudam a amenizar a temperatura, oferecem sombra, reduzem o risco de erosões e contribuem para o bem-estar da população. As flores também fornecem pólen e néctar para aves, insetos, abelhas e beija-flores.
“São maravilhosas as flores do jacarandá”, afirma Longo. Depois da floração, aparecem frutos pequenos, secos e achatados, que protegem sementes levadas pelo vento. Segundo o biólogo, essas estruturas ainda podem ser usadas na produção de artesanato.
Moradores descobrem a espécie
João Gimenes, de 83 anos, parou para observar as árvores enquanto caminhava com a esposa, Amelia, de 78. Morador de Campo Grande há 21 anos, ele contou que costuma passar pelo local apenas para abastecer o veículo e que nem sempre percebe a paisagem.
“A gente só vai colocar gasolina e não se dá conta”, disse. Para João, as flores lembram o período em que vivia em uma área rural e reforçam a arborização como um dos atrativos da cidade.
Juliana Dias Quadros, de 35 anos, também acreditava inicialmente que as árvores fossem ipês. Moradora da região há oito anos e do bairro há dois meses, ela frequenta diariamente a praça próxima ao cruzamento com as crianças. Ao saber que se tratava de jacarandás, ficou surpresa.
Para Juliana, a presença de árvores e animais faz parte da identidade de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Ela contou que um coqueiro em frente à sua casa costuma receber a visita de araras.








