MIGUELÓPOLIS — Celulares, notebooks, tablets, cartões bancários, documentos com informações financeiras, anotações e dinheiro em espécie foram apreendidos durante uma investigação sobre desvios em contas de clientes vulneráveis. Uma funcionária de uma agência do Santander e o namorado dela foram presos na segunda-feira, 28.
Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, é suspeita de movimentar R$ 2,1 milhões entre 2024 e 2026. O dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, também foi detido por suspeita de participação. As prisões são preventivas e foram determinadas pela Vara Regional das Garantias da 6ª Região Administrativa Judiciária - Ribeirão Preto.
De acordo com o boletim de ocorrência, Vanessa teria usado a posição de gerência para fazer saques indevidos, contratar empréstimos fraudulentos e ordenar transferências bancárias sem autorização. As vítimas seriam pessoas com pouca familiaridade com aplicativos bancários, principalmente idosos sob curatela. Em um dos casos, o prejuízo teria chegado a R$ 1.765.884,23.
Valores movimentados
Segundo o registro policial, Adilson teria usado a própria conta e a de sua empresa, Adilson Coelho de Paula ME, para receber e movimentar os valores. As operações incluiriam transferências triangulares, repasses simulados, apresentados como pagamentos de salários e serviços, além de saques frequentes de quantias elevadas na agência.
Nas buscas, foram localizados R$ 252 em uma das residências. Com o suspeito, os policiais apreenderam R$ 4.332, um cartão bancário e um celular. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia de Miguelópolis.
O Santander informou que sua área de inteligência coopera com a Polícia Civil de São Paulo desde o início da apuração. O banco afirmou que nenhum cliente terá prejuízo financeiro e declarou: "O banco reforça que possui sistemas eficazes de prevenção a fraudes para identificar e coibir eventuais desvios de conduta".
A Secretaria da Segurança Pública do Estado informou que policiais civis de Miguelópolis, com apoio de equipes da Seccional de Franca, cumpriram os mandados. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que a audiência de custódia ocorreu na terça-feira, 29, sem identificação de irregularidades. Os dois permanecem detidos.
Outra investigação
Em agosto de 2026, o Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra Adilson por violência doméstica contra Vanessa e posse ilegal de arma de fogo. O episódio teria ocorrido em 21 de dezembro de 2025, após uma crise de ciúmes. Conforme a denúncia, ele teria agredido Vanessa e a ameaçado com uma pistola Taurus calibre .380, que estava com 15 cartuchos intactos.
Vanessa teria chamado a polícia, prestado depoimento, passado por exame pericial e pedido medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.








