O Grupo HP, que negocia a compra das empresas responsáveis pelo transporte coletivo de Campo Grande, declara capital social de R$ 588,1 milhões. O valor é cerca de 34 vezes maior que os R$ 17,2 milhões somados pelas quatro operadoras que formam o Consórcio Guaicurus.
A capacidade financeira aparece como justificativa para a aquisição apresentada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No documento, compradores e vendedores afirmam que a mudança de controle permitirá que os próximos investimentos do sistema sejam assumidos por um grupo com recursos para executá-los.
A Maas Administração e Participações foi identificada como compradora de 100% das quotas da Viação Cidade Morena, da Jaguar Transportes Urbanos, da Viação São Francisco e da Viação Campo Grande. A empresa é uma holding não operacional do Grupo HP, que já atua no transporte público coletivo na Região Metropolitana de Goiânia e no Distrito Federal.
Diferença entre as estruturas
A HP Investimentos e Participações informa capital social de R$ 588,1 milhões. As empresas de Campo Grande, juntas, registram R$ 17,2 milhões: R$ 6 milhões da Viação Cidade Morena, R$ 5,4 milhões da Jaguar, R$ 3,22 milhões da Viação São Francisco e R$ 2,58 milhões da Viação Campo Grande. A relação é de aproximadamente 34,2 para 1.
O capital social representa o valor formalmente colocado na estrutura societária, mas não equivale ao preço de mercado nem comprova dinheiro disponível em caixa. O balanço de 2025 da HP Investimentos registra R$ 1,295 bilhão em ativos consolidados, patrimônio líquido consolidado de R$ 565,8 milhões e receita líquida consolidada de R$ 515,4 milhões.
O mesmo balanço aponta R$ 568,5 milhões em empréstimos e financiamentos, considerando obrigações de curto e longo prazo. Os números abrangem as empresas incluídas na consolidação da holding e não representam o faturamento de todas as sociedades relacionadas ao Grupo HP no processo do Cade.
O que consta no processo
A Maas tinha capital inicial de apenas R$ 10 mil e foi criada para concentrar as participações nas quatro viações. O Grupo HP informou que a HP Investimentos faria aumentos de capital na nova controladora conforme a necessidade da operação, para fornecer os recursos destinados ao projeto em Campo Grande.
O Grupo Constantino, vendedor do negócio, declarou que pretende direcionar investimentos para outros segmentos econômicos. Também sustentou que a transferência ajudará na continuidade do transporte coletivo e no cumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão.
O Ato de Concentração Sumário começou a tramitar no Cade no último dia 28 de setembro. Embora o procedimento seja público, a avaliação das empresas e o valor da compra e venda permanecem sob sigilo.
A análise do Cade trata da concorrência e não substitui a autorização da Prefeitura de Campo Grande para a mudança de controle da concessionária. Nesta sexta-feira (2), a prefeita Adriane Lopes afirmou que a administração municipal condicionará a anuência às melhorias propostas para o sistema, incluindo renovação da frota, veículos com ar-condicionado e intervenções nos terminais.
A versão pública do processo não informa o valor, o cronograma ou a quantidade de ônibus relacionados aos novos ciclos de investimento. O documento registra a capacidade financeira alegada pelo comprador, mas não detalha como nem quando as melhorias serão executadas.








