Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi acusado de negar fatos já documentados e repetir informações falsas em episódios ligados ao Banco Master, ao filme Dark Horse, ao PIX e ao governo de Jair Bolsonaro. As declarações ocorreram enquanto o senador se prepara para liderar a direita na disputa presidencial, após o impedimento do pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Horas antes do vazamento de mensagens de áudio e texto, Flávio negou ter negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro apoio ao filme sobre Jair Bolsonaro. “É mentira! De onde você tirou essa informação?”, respondeu ao ser questionado. As conversas mostram tratativas entre o senador e o dono do Banco Master, preso pela Polícia Federal.
Na mesma noite, em um vídeo publicado para se defender, Flávio admitiu a relação com a produção e afirmou que o longa não recebeu dinheiro público. O filme, porém, teve R$ 2 milhões enviados por meio de emendas parlamentares do deputado Mário Frias (PL-SP), roteirista da obra e ex-ministro da Cultura de Bolsonaro.
A transferência ocorreu em 2024, por meio do Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira Gama, dona da Go UP Entertainment, empresa responsável pela pré e pós-produção. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que Frias explicasse os repasses. Como ele não foi encontrado pelos oficiais de justiça, o ministro Flávio Dino intimou a Câmara dos Deputados a informar seus endereços residenciais no Distrito Federal e em Brasília. O processo continua aberto.
Relação com o Banco Master
Em abril de 2026, Flávio chamou de “narrativa falsa” a associação entre políticos da direita e o caso Master. A Polícia Federal investiga o suposto pagamento de R$ 300 mil mensais, além de outras vantagens, de Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, em troca de favores no Parlamento.
Ciro protocolou no Senado a PEC 65/2023, elaborada pela assessoria do Master. A proposta ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e poderia beneficiar diretamente o banco. O texto não avançou.
As investigações também alcançam recursos ligados às campanhas de Jair Bolsonaro à Presidência e de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, em 2022. Bolsonaro recebeu R$ 3 milhões, enquanto Tarcísio recebeu R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e investigado no caso.
PIX e imagens sobre pobreza
Em maio de 2026, durante uma entrevista coletiva em Florianópolis, Flávio usou uma camiseta com a frase “o PIX é do Bolsonaro”. O sistema foi lançado em novembro de 2020, mas começou a ser planejado em 2018, durante o governo de Michel Temer. Naquele período, o Banco Central criou um grupo de trabalho para estudar pagamentos instantâneos.
Em abril, o senador também atribuiu ao governo Lula uma crise de pobreza extrema usando imagens de pessoas recolhendo comida do lixo. As gravações, contudo, foram feitas em outubro de 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Contradições em declarações
Em abril de 2024, Flávio chamou de fake news a informação de que era contra o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. A afirmação veio após a repercussão de uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na qual disse que o afastamento de um ministro não resolveria os problemas do país.
Apesar disso, em julho de 2025, o senador protocolou no Senado um novo pedido de impeachment de Moraes. O documento afirma que o ministro rompeu princípios constitucionais.
Em março deste ano, Flávio apresentou uma PEC pelo fim da reeleição para Presidente da República. Dois meses depois, durante o lançamento da chapa de Jorginho Mello ao governo de Santa Catarina, em 8 de maio, declarou a empresários que pretendia governar por oito anos caso fosse eleito.








