Ideias para a sua casa
Brasil

Flávio Bolsonaro tenta ampliar eleitorado enquanto enfrenta acusações antigas e caso Vorcaro

Senador busca se apresentar como uma alternativa mais moderada, mas enfrenta questionamentos sobre alianças, rachadinha e vínculos com milicianos.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência tenta combinar a herança política do pai, Jair Bolsonaro, com uma imagem de maior moderação. O senador passou a destacar que tomou vacina, defender pautas ligadas às mulheres e publicar conteúdos favoráveis ao Carnaval. Ao mesmo tempo, enfrenta questionamentos sobre conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, suspeitas de rachadinha e vínculos com o miliciano Adriano da Nóbrega.

Flávio foi escolhido pelo pai para disputar a Presidência pelo PL e subiu nas pesquisas desde o anúncio, feito em dezembro. O crescimento apareceu entre jovens, eleitores de classe média e mulheres. Em um eventual segundo turno, ele e Luiz Inácio Lula da Silva aparecem empatados no agregador de pesquisas citado no levantamento.

O senador, porém, passou a ser cobrado por conversas com Vorcaro sobre o financiamento de um filme em homenagem a Jair Bolsonaro. O banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a produção no ano passado, enquanto o acordo total chegaria a R$ 134 milhões. Flávio afirma que buscava patrocínio privado e nega ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro.

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o episódio dificulta o esforço para reduzir a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro e a acusações de corrupção. “Esse caso [envolvendo Vorcaro] vem como um balde de água fria nesse processo de desconstrução que estava sendo feito”, afirmou.

A estratégia de moderação

A campanha também explora a distância entre Flávio e o estilo do ex-presidente. Em vídeo publicado com Fernanda, sua esposa, o senador aparece em cenas da rotina familiar com as duas filhas. Ela afirma que o marido é um “Bolsonaro moderado” e diz ter contribuído para essa mudança.

Nas redes sociais, Flávio exaltou a importância econômica do Carnaval e, no Dia da Mulher, abordou feminicídios, falta de creches e figuras como Berta Lutz, Antonieta de Barros e Maria da Penha. A estratégia contrasta com declarações e atitudes de Jair Bolsonaro durante a pandemia e em relação a pautas de gênero.

A senadora Damares Alves avalia que Flávio não está tentando se tornar moderado, mas que já tem esse perfil. Para ela, a vantagem eleitoral está em dialogar sem abandonar a direita. Já setores do PT sustentam que não existe um Bolsonaro moderado e associam o senador à extrema-direita.

Em abril, Flávio foi visto conversando com Jaques Wagner durante a sessão que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Depois, comemorou o resultado e afirmou que o governo Lula havia acabado. A vereadora Janaína Paschoal criticou a postura e disse que ele não era moderado, mas fraco.

Acusações do período na Assembleia

Parte da resistência ao senador está relacionada ao período em que foi deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio atuou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de 2003 a 2018 e é alvo de acusações de desvio de verba parlamentar, compra de imóveis com dinheiro vivo e manutenção de vínculos com pessoas ligadas a milícias.

O caso da rachadinha veio à tona depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações incompatíveis com o salário de Fabrício Queiroz, então chefe de gabinete de Flávio. Em 2020, o Ministério Público acusou Queiroz de operar um esquema que recolhia parte dos salários de funcionários.

Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões. O Ministério Público afirmou que ao menos R$ 2 milhões foram para a conta de Queiroz e outros R$ 2 milhões foram disponibilizados por meio de saques em espécie. A acusação também citou 169 boletos pagos em dinheiro, referentes à escola das filhas de Flávio e ao plano de saúde da família, entre 2013 e 2018, no total de R$ 247 mil.

Flávio nega as acusações e diz que os valores eram usados por Queiroz para contratar informalmente pessoas que trabalhavam em atividades de apoio ao mandato. O caso foi paralisado por decisões judiciais. O Superior Tribunal de Justiça anulou decisões que permitiram a quebra de sigilos, e o Supremo Tribunal Federal anulou relatórios do Coaf que embasaram a investigação. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que o caso foi encerrado após decisão de Gilmar Mendes, em fevereiro de 2025.

Relações com Adriano da Nóbrega

Durante os mandatos na Assembleia, Flávio homenageou policiais militares, entre eles Adriano da Nóbrega, em 2003 e 2005. Nóbrega foi expulso da Polícia Militar em 2014 e depois acusado de atuar como miliciano e chefiar o Escritório do Crime. Ele morreu durante uma operação policial na Bahia, quando estava foragido.

A mãe de Nóbrega, Raimunda Magalhães, e sua então esposa, Danielle Mendonça da Costa, trabalharam no gabinete de Flávio até 2018. O senador afirma que não conhecia possíveis atividades criminosas de Nóbrega e que manteve as duas funcionárias porque considerava que trabalhavam bem.

Flávio também nega defender milícias. Marcelo Freixo, que conviveu com ele na Assembleia, afirma que o senador representava o mesmo projeto político da família Bolsonaro. Aliados, como Damares Alves e Rogério Marinho, minimizam as acusações e dizem que elas não têm base fática.

A campanha, portanto, tenta alcançar eleitores que rejeitam o estilo de Jair Bolsonaro sem perder o apoio bolsonarista. Para Yuri Sanches, existe uma parcela de 10% a 12% do eleitorado que não se alinha automaticamente a nenhum dos lados da polarização. Esse grupo pode decidir a eleição, mas costuma deixar a escolha para a reta final.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5