A votação no plenário do Senado da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 deverá ficar para depois das eleições de 2026. O adiamento foi anunciado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, após um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que argumentou que a análise poderia desequilibrar a disputa eleitoral.
A proposta havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta (2), sem dificuldades. Com a decisão, defensores da medida no governo avaliam que a tramitação ficou em risco, já que dois terços do Senado estarão em disputa nesta eleição. A possibilidade de renovação era vista como um incentivo para que parlamentares apoiassem a mudança.
O debate ocorreu enquanto o Supremo Tribunal Federal enfrentava desdobramentos relacionados aos escândalos do Banco Master e do INSS. Vazamentos sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e questionamentos sobre a relatoria do ministro André Mendonça nos inquéritos ajudaram a concentrar o noticiário no STF.
Senadores da base e da oposição e integrantes do governo avaliam que o cenário abriu espaço para a articulação de Flávio e de seus aliados. A análise da proposta acabou postergada sem grande mobilização pública em torno da decisão.
A mudança tem apoio de cerca de 70% da população, de acordo com institutos de pesquisa mencionados no debate. O respaldo aparece entre eleitores de diferentes correntes ideológicas, do lulismo ao bolsonarismo e entre independentes. A aprovação da PEC é tratada como uma aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para melhorar sua popularidade na reta final da campanha.
Flávio tentou antes avançar com a chamada PEC da Hora Trabalhada, que previa remuneração por hora e defendia mais flexibilidade. A proposta não elimina a escala 6×1, que continuaria como teto, e deixaria uma eventual redução da jornada para negociação entre patrão e empregado. O texto não avançou na CCJ.
Na comissão, o senador Rogério Marinho (PL-RN), autor da alternativa da oposição e coordenador da campanha de Flávio, pediu vista. A análise foi retomada uma hora depois. Marinho tentou incluir trechos de sua proposta na PEC do Fim da 6×1, mas os demais senadores rejeitaram a iniciativa.
Durante o debate, Marinho afirmou que reduzir a jornada sem diminuir salários aumentaria os custos. O relator, Omar Aziz (PSD-AM), reagiu e questionou se os deputados do PL que apoiaram a proposta na Câmara também seriam classificados dessa forma. Em maio, apenas 11 dos 97 deputados do partido votaram contra o fim da 6×1.
Flávio, que critica a mudança, evitou declarar publicamente que votaria contra a PEC. Em vez disso, defendeu a proposta alternativa: “Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga horária de trabalho ou como é que vai trabalhar”.







