Édson Vander da Silva Júnior, apontado pela Polícia Civil do Espírito Santo como chefe do tráfico na Serra Dourada 3, foi preso em um apartamento de luxo pertencente ao atacante David Corrêa, o DVD, do Vasco. O ex-agente do jogador é investigado por envolvimento em uma tentativa de homicídio ligada à disputa pelo controle de áreas da Serra, na Grande Vitória.
A prisão ocorreu em agosto de 2024, após o ataque registrado em março daquele ano. De acordo com a polícia, Édson também negociava contratos e administrava a vida financeira e a carreira de David Corrêa. Ao mesmo tempo, teria assumido o comando do tráfico no bairro.
A investigação aponta que a vítima era próxima de Édson e de Ruan de Freitas Camargo Cruz e foi sequestrada por suspeita de transmitir informações a uma facção rival. O homem foi colocado em um carro clonado e levado pelo bairro. Ruan estava no banco do passageiro, enquanto outro suspeito dirigia e um adolescente vigiava a vítima.
O homem tentou fugir durante uma distração do grupo e foi baleado. Mesmo ferido e atingido novamente nas costas, sobreviveu ao fingir que estava morto.
Prisões e mensagens
Ruan, de 27 anos, foi preso na mesma operação que levou Édson para a cadeia. Segundo a polícia, os dois passaram a controlar o tráfico na Serra Dourada 3 depois da execução de um antigo chefe, conhecido como Leleto. A dupla seria responsável pela negociação de drogas, armas e munição.
Rodrigo Sandi Mori, titular da DHPP da Serra, afirmou que Édson controlava a movimentação financeira ligada à atividade investigada e que ele e Ruan assumiram o comando do tráfico após a morte de Leleto.
Mensagens encontradas no celular de Édson também levantaram a suspeita de que David Corrêa pudesse financiar o tráfico. Depois da tentativa de homicídio, o ex-agente informou ao jogador sobre o estado de saúde da vítima no hospital. David respondeu: "Ele mereceu tomar uns tiros mesmo".
Em outra conversa, Édson enviou uma foto de uma pistola de grosso calibre. O jogador respondeu: "Tem que matar um para ver de qual é". Três dias depois do crime, um áudio de Ruan foi encaminhado a David. Na gravação, Ruan pedia dinheiro em espécie para trocar o veículo usado no ataque.
Operação A Tropa
A Polícia Civil realizou a Operação A Tropa para investigar uma organização criminosa com atuação interestadual, envolvida, conforme as apurações, com tráfico de drogas e armas e possíveis vínculos com uma facção criminosa. A ação teve alvos na Barra da Tijuca e em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio, além de buscas no apartamento de David Corrêa e no Centro de Treinamento do Vasco, em Jacarepaguá.
Os clubes de futebol onde foram realizadas buscas não têm relação com a investigação e colaboraram com as equipes, segundo os investigadores. A operação também analisou possíveis envolvimentos de outros atletas profissionais e empresários.
Quatro pessoas foram presas, nenhuma delas jogador de futebol. Dois mandados foram cumpridos contra pessoas que estavam em liberdade, e uma delas também foi presa em flagrante por posse de arma de fogo. Outros dois mandados foram cumpridos contra indivíduos que já estavam presos.
A ação reuniu polícias civis de diferentes estados e cumpriu medidas judiciais na Grande Vitória, em Afonso Cláudio, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, em Goiás e no Distrito Federal. O objetivo era executar quatro mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão por suspeitas de organização criminosa, tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro.
A operação mobilizou aproximadamente 100 policiais, com apoio da Superintendência de Polícia Especializada, da Coordenadoria de Recursos Especiais e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo. O nome foi escolhido porque era a forma como os próprios investigados se referiam ao grupo.







