O ex-comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic foi enterrado nesta segunda-feira, 7, em Belgrado, com honras militares e diante de milhares de pessoas. A cerimônia provocou críticas da União Europeia (UE), que condenou a homenagem pública a um homem responsabilizado por crimes de guerra e pelo genocídio de Srebrenica.
Mladic morreu em 27 de agosto, aos 84 anos, em Haia, na Holanda. Ele cumpria prisão perpétua depois de ser condenado, em 2017, por comandar o massacre de mais de oito mil homens e meninos muçulmanos em Srebrenica, em 1995. A sentença também incluiu o cerco de Sarajevo, que durou anos, além da criação de campos de concentração para civis não sérvios e soldados inimigos.
A cerimônia foi realizada na Igreja Ortodoxa Sérvia de São Lucas. Durante o velório, o quepe militar e o sabre de Mladic foram colocados sobre o caixão, ladeado por homens uniformizados. O Patriarca Porfirije conduziu o rito. Depois, soldados do Exército da Sérvia levaram o caixão, coberto pela bandeira do país, até o cemitério, sob aplausos e ao som de uma orquestra militar.
Entre os presentes estavam Milorad Dodik, líder sérvio-bósnio; Alexander Botsan-Kharchenko, embaixador da Rússia na Sérvia; Danilo Vucic, filho do presidente Aleksandar Vucic; e ministros, incluindo o da Defesa. Veículos alinhados ao governo sérvio transmitiram a cerimônia ao vivo.
Reação de familiares e da União Europeia
O grupo Mães de Srebrenica, formado por familiares das vítimas, pediu uma reação da UE. Em uma publicação no X, afirmou: “A glorificação do genocídio não é uma honra, é uma vergonha”. O grupo também disse que o funeral ameaçava se tornar “a maior reunião fascista da Europa nos últimos 70 anos”.
A ONU havia declarado Srebrenica um “refúgio seguro” para os bósnios muçulmanos, mas a área foi tomada pelas forças sérvias. Homens e meninos foram mortos e enterrados em valas comuns.
O serviço diplomático da UE afirmou que a glorificação de criminosos de guerra, a negação do genocídio e o revisionismo contradizem os valores europeus. A comissária europeia de Ampliação e Política de Vizinhança, Marta Kos, cancelou uma visita à Sérvia prevista para os próximos dias e classificou a homenagem como incompatível com os valores ligados ao caminho de adesão ao bloco.
Governo sérvio e homenagens
Embora a família tenha organizado formalmente o funeral, o governo sérvio enviou um avião para transportar os restos mortais de Mladic até Belgrado. Uma cerimônia militar também ocorreu no sábado, 5, em uma instalação oficial do Exército da Sérvia.
O presidente Aleksandar Vucic, que não compareceu ao enterro, descreveu a cerimônia como uma “manifestação emocional” e disse que ela não representava uma aprovação do governo. Ele afirmou ainda que os sérvios são “perseguidos e assediados há 30, 40 anos”.
Desde a morte de Mladic, admiradores fizeram vigílias, pintaram murais com sua imagem e acenderam sinalizadores. No domingo, 6, torcedores exibiram uma imagem dele e gritaram seu nome durante uma partida em Belgrado.
A Sérvia é candidata à adesão à UE e mantém uma postura desafiadora sobre seu papel na guerra. O funeral ocorreu enquanto protestos liderados por estudantes contra Vucic acontecem há 20 meses e partidos se preparam para as eleições parlamentares do próximo mês.








