SÃO PAULO — A produtora GoUp Entertainment gastou mais de R$ 800 mil com hospedagem e segurança do ator Jim Caviezel durante as gravações de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Notas fiscais e comprovantes bancários foram entregues à Polícia Federal (PF), que investiga se a obra recebeu recursos do Banco Master.
O ministro André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo dos autos na noite de sexta-feira, 11. Os documentos também registram despesas com caracterização dos atores.
Caviezel, seus assessores Nathon Lewis e Richard Dobrich e o segurança Keith Billiot ficaram hospedados no hotel Unique, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na zona sul de São Paulo. As diárias somaram R$ 732 mil, pagas em oito transferências.
A empresa VSG Serviços recebeu R$ 82 mil pela escolta do ator durante o período de filmagens. A produção ainda desembolsou R$ 10 mil pela peruca usada por Caviezel e R$ 3 mil por apliques de cabelo utilizados pela atriz que interpreta Michelle.
Um dos comprovantes mostra uma transferência de R$ 298 mil para o hotel Unique em 30 de dezembro de 2025. Na descrição, aparecem hospedagem, gorjetas e massagens para Jim Caviezel. Não há, entre os documentos apresentados, a nota fiscal correspondente. Os contratos dos atores estrangeiros também não foram localizados no material.
Recursos e projeções de arrecadação
A GoUp Entertainment recebeu ao menos US$ 12,3 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, valor equivalente a cerca de R$ 64 milhões. Os repasses passaram pela Entre Investimentos, empresa de Vorcaro, e chegaram ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Os documentos indicam que os produtores projetavam arrecadação de US$ 45 milhões no cenário mais pessimista, o equivalente a R$ 230 milhões na cotação mencionada. A estimativa era 91% maior que a bilheteria de Minha Mãe é Uma Peça 3, de 2019, que arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões. No cenário mais otimista, a previsão para Dark Horse chegava a R$ 358 milhões.
A produtora também é investigada por suspeitas de uso de recursos públicos. Um dos procedimentos envolve um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), representado por Karina Gama, dona da GoUp. O outro apura emendas parlamentares que teriam sido destinadas à entidade e chegado à produtora.
Desde quinta-feira, 10, os dois procedimentos tramitam com o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que determinou 49 mandados de busca e apreensão contra os investigados.






