As relações do banqueiro Daniel Vorcaro com políticos de direita expuseram uma disputa dentro desse campo, avalia o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). As declarações ocorreram após a divulgação de informações sobre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nesta quinta-feira (3), foi informado que o dono do Banco Master teria dado dinheiro para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022. O caso também alcançou Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, que teria pedido recursos a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o pai.
Para Ramirez, a sequência de revelações indica que o banqueiro construiu relações em diferentes níveis do poder público. “Vorcaro se enraizou em diferentes níveis da federação”, afirmou, citando municípios, estados e os poderes federais.
Críticas a André Mendonça
O professor também criticou a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça mantém sob sigilo as investigações relacionadas ao filme biográfico de Bolsonaro, mas autorizou a divulgação de informações referentes ao ministro Alexandre de Moraes.
Na avaliação de Ramirez, setores da extrema direita tentam associar o caso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao STF para tirar o foco das informações sobre o filme, os recursos atribuídos a Vorcaro e as campanhas de políticos bolsonaristas. “É uma guerra declarada da direita contra a direita”, disse.
O cientista político afirmou ainda que havia um acordo informal para que as investigações sobre o Banco Master e a divulgação dos casos avançassem depois das eleições. Segundo ele, André Mendonça teria rompido esse entendimento ao permitir a publicação de informações sobre Alexandre de Moraes e manter em sigilo os dados relacionados ao filme.
Ramirez avaliou que os políticos de direita e de centro são os mais prejudicados pela situação. Ele citou o presidente do Senado, Alcolumbre, que teria enfrentado Flávio Bolsonaro e defendido Alexandre de Moraes. Para o professor, porém, essa postura está ligada à defesa dos interesses do próprio grupo político de Alcolumbre.
O cientista político também afirmou que Lula se beneficia da situação por ter dado liberdade total de atuação à Polícia Federal.







