CAMPO GRANDE — Moradores de diferentes regiões enfrentam mais de 24 horas sem energia após a tempestade que atingiu a cidade na quinta-feira (10). O problema começou entre 17h30 e 18h, e a falta de fornecimento levou famílias a evitar abrir a geladeira, cozinhar alimentos que poderiam estragar e se preparar para mais uma noite à luz de velas.
Entre os bairros afetados estão Tiradentes, Maria Aparecida Pedrossian, Jardim Novos Estado, Sírio Libanês, Vila Bandeirantes, Jardim Paulista, Vila Olinda, Carandá Bosque, Jockey Club e Vila Eliane.
A aposentada Rosangela Godoy, de 69 anos, mora na Vila Olinda, na região da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), e está sem energia desde as 18h de ontem. Depois de esperar pelo restabelecimento, ela começou a preparar os alimentos que poderiam perder a refrigeração. Se o problema continuar, pretende levar os produtos congelados para familiares. Para acompanhar as notícias, recorreu ao rádio de pilha.
Na Vila Bandeirante, a pensionista Ana Rosa Monteiro da Silva, de 71 anos, perdeu um dia de trabalho. Ela trabalha de casa e ficou sem energia e internet. Também relatou alimentos estragando na geladeira, mal-estar causado pelo calor e desconforto, além do risco de permanecer no escuro.
Equipes trabalham na rede elétrica
A Energisa informou que multiplicou por quatro o número de equipes técnicas mobilizadas para reparar os danos. Profissionais de Minas Gerais, Tocantins, Paraíba, Sergipe, Acre e Rondônia foram enviados para reforçar o atendimento em Campo Grande.
De acordo com a concessionária, objetos foram lançados pelo vento em vários pontos, mas a maior parte dos danos foi causada pela queda de árvores de grande porte. Cerca de 30 postes já foram ou estão sendo substituídos, e a previsão é de até 100 estruturas danificadas. Em alguns locais, a rede precisará ser reconstruída completamente.
Às 13h desta sexta-feira, cerca de 82% dos clientes atingidos já tinham o serviço restabelecido. A empresa afirmou que nenhum bairro ficou totalmente sem fornecimento, embora diversas áreas tenham sido afetadas. Os serviços essenciais, incluindo hospitais, foram normalizados.
Tempestade teve rajadas de até 87 km/h
A tempestade provocou quedas de árvores, postes e fiação, além de chuva, granizo e ventos fortes. Medições apontaram rajadas de 87 km/h no Aeroporto Internacional de Campo Grande e de 84 km/h na Embrapa Gado de Corte. Para o meteorologista Vinícius Sperling, do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), os ventos podem ter se aproximado de 100 km/h em alguns pontos.
A Defesa Civil Municipal voltou a alertar, nesta sexta-feira, para a possibilidade de novas tempestades. O Cemtec também indicou condições favoráveis a novas formações de tempo severo durante a tarde.








