Indígenas do Tekoha Tapy Kora, em Amambai, denunciaram um ataque à comunidade nesta sexta-feira (4). Relatos divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) mencionam casas queimadas, disparos de arma de fogo e uso de gás lacrimogêneo durante a ação.
Em um vídeo, um morador mostra uma munição encontrada no local e diz que o artefato seria de gás lacrimogêneo. Na gravação, também aparecem áreas queimadas. O homem afirma que homens armados entraram na comunidade acompanhados de policiais e diz que uma liderança indígena quase foi morta. Segundo o relato, uma casa foi incendiada com documentos e alimentos dentro.
“Pistoleiros junto com policiais fazendo despejo assim, atacando à noite no Tekoha Tapy Kora”, afirma o morador no vídeo.
Outra gravação, feita durante o dia, registra pelo menos seis disparos. Uma mulher grita enquanto indígenas correm em direção a uma cerca. Não havia confirmação independente sobre a autoria dos tiros, do incêndio ou do uso de gás. Os relatos publicados pela APIB atribuem a ação a homens armados e policiais.
Disputa pela área
O Tekoha Tapy Kora fica na Terra Indígena Iguatemipeguá II, território reivindicado por indígenas guarani e kaiowá. A Fazenda Limoeiro está sobreposta à área, que é alvo de disputa entre os proprietários rurais e os indígenas.
O conflito se intensificou nos últimos meses. Em junho, cerca de 30 indígenas ocuparam novamente a fazenda durante a madrugada. A Polícia Militar informou, na ocasião, que havia sido acionada pelo proprietário após um boletim de ocorrência sobre a ocupação e que foram registrados danos na estrutura da propriedade.
No dia 17 de junho, a PM prendeu um indígena durante uma ação para retirar os ocupantes. Representantes do Ministério dos Povos Indígenas, da Funai e da Força Nacional estiveram no local e tentaram negociar a saída voluntária do grupo, mas não conseguiram.
Na mesma operação, indígenas denunciaram o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha. Imagens divulgadas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) mostraram fumaça e sons de disparos.
A demarcação da Terra Indígena Iguatemipeguá II entrou na fase de estudos de identificação em julho de 2008. A Polícia Militar ainda não havia se manifestado sobre a denúncia relacionada ao ataque desta sexta-feira (4).








