CAMPO GRANDE — Aos 65 anos, o engenheiro civil Edgar da Costa Nunes voltou a procurar emprego e diz que aceitaria até uma vaga de estágio. Ele participou, nesta segunda-feira (21), do Feirão da Empregabilidade – Dia D, realizado na Praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande, em busca de uma oportunidade.
Edgar já trabalhou em empresas de diferentes áreas, inclusive no Rio de Janeiro. Além da formação em engenharia civil, ele está concluindo o curso de Letras para atuar como professor. Ensinar, segundo ele, está entre as atividades de que mais gosta.
A busca por trabalho também está ligada à necessidade de aumentar a renda. Edgar afirma que o valor que recebe atualmente é insuficiente e que a situação financeira ficou difícil. Por isso, considera vagas na profissão, em outra área ou até mesmo um estágio.
Experiência profissional e deficiência
Edgar é pessoa com deficiência depois de sofrer um acidente que rompeu o plexo braquial, conjunto de nervos relacionado aos movimentos e à sensibilidade do braço. A lesão fez com que ele perdesse os movimentos do lado direito. Como era destro, precisou aprender a escrever e a realizar outras atividades com a mão esquerda.
Ele também foi fuzileiro naval e afirma que a experiência militar o ajudou a desenvolver habilidades com as duas mãos. Além disso, possui CNH categoria D e já trabalhou como motorista e caminhoneiro. Atualmente, porém, só pode dirigir veículos automáticos.
Outros candidatos também foram ao feirão em busca de trabalho. Jovani Barbosa Corrêa, de 42 anos, está desempregado há cerca de três meses e procura uma vaga como eletricista. Formado pelo Senai em 2011, ele deixou São Paulo há menos de uma semana e se mudou para Campo Grande para ficar perto das filhas, de 10 e 15 anos.
Jovani tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e aponta o preconceito como uma das dificuldades enfrentadas na procura por emprego.
Antônio de Andrade, de 14 anos, também tem TEA e busca a primeira oportunidade formal. Ele foi ao evento interessado em uma vaga de jovem aprendiz aberta na Funsat. O adolescente já trabalhou informalmente em uma feira, na produção e venda de sucos e no atendimento aos clientes, e pretende usar o programa para ganhar experiência. No futuro, sonha trabalhar com música e gosta de tocar piano e teclado.
Wiclean do Santos Araújo, de 58 anos, procura uma vaga na área administrativa. Ex-motorista de ônibus, ela está há dois anos sem trabalhar. Com artrite, artrose e problemas na coluna, deixou de buscar oportunidades como motorista e, ao renovar a carteira de habilitação, mudou da categoria D para B.
Wiclean afirma que recebeu encaminhamentos da Funtrab e da Funsat, mas não teve retorno depois de enviar currículos. Ela também busca a aposentadoria na Justiça e diz que precisa trabalhar enquanto aguarda uma definição.
O Feirão da Empregabilidade foi realizado até as 16h desta segunda-feira. A ação reuniu vagas para pessoas com deficiência e recrutadores de empresas, com seleção de candidatos no próprio local. O atendimento ocorreu em tendas protegidas do sol, com música no espaço e movimento tranquilo durante a manhã.








