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Empresas de Bonito mudam compras e descarte para reduzir resíduos

Estrela do Formoso desviou 94,4% dos resíduos do aterro após adotar compostagem, treinamento e controle dos materiais.

Empresas de Bonito mudam compras e descarte para reduzir resíduos

A gestão de resíduos em empresas começa antes do descarte. A escolha de embalagens, o uso de copos descartáveis e a impressão de documentos fazem parte de uma rotina que pode ser revista para diminuir o volume enviado aos aterros.

O atrativo turístico Estrela do Formoso, em Bonito, desviou 94,4% dos resíduos do aterro e conquistou a Certificação Lixo Zero, concedida pelo Instituto Lixo Zero Brasil a empreendimentos que desviam pelo menos 90% dos materiais. A operação envolve separação, compostagem, treinamento e registro do destino de cada tipo de resíduo.

Como a mudança começou

No Estrela do Formoso, a iniciativa surgiu por causa do mau cheiro provocado pelos restos de comida misturados aos demais materiais. Como os resíduos ficavam armazenados até a coleta semanal, o trabalho da equipe se tornava desagradável. A primeira medida foi separar os orgânicos para a compostagem. Depois, o procedimento foi ampliado para outros resíduos.

Os funcionários já separavam latinhas para venda. Com a mudança, passaram também a separar os demais recicláveis, além de lavar e secar as embalagens antes do encaminhamento. Um funcionário confere os pontos de descarte, e o atrativo deixou de oferecer copos plásticos e canudos.

O sócio-proprietário Lucas Alves Ferreira afirma que a principal dificuldade foi envolver os funcionários em tarefas que não faziam parte da rotina anterior. A implantação exigiu treinamento, consultoria e um espaço para armazenar os materiais separados. A estrutura custou cerca de R$ 40 mil, enquanto a coleta dos orgânicos para compostagem representa uma despesa aproximada de R$ 2 mil por mês.

A mensuração começou em dezembro de 2024. Entre julho de 2025 e julho de 2026, foram monitorados 13.965,46 kg de resíduos. Desse total, 10.070,19 kg eram orgânicos, 2.354,30 kg eram recicláveis e 749,52 kg foram classificados como perigosos, incluindo óleo de cozinha, eletrônicos, pilhas, lâmpadas e baterias.

Os 791,45 kg restantes eram rejeitos, principalmente papel higiênico, fraldas e absorventes usados nos banheiros. Esse material foi encaminhado ao aterro sanitário. A taxa de desvio passou de 93,3% na certificação anterior para 94,4% no novo ciclo. A primeira certificação do Estrela do Formoso ocorreu em julho de 2025.

Medição e participação da equipe

A pesquisadora, advogada e professora Maira Portugal orienta as empresas a fazer um levantamento dos resíduos gerados durante uma ou duas semanas. A análise deve considerar quais materiais aparecem, em que volume e de onde eles vêm. Com esses dados, fica mais fácil localizar desperdícios e definir as primeiras medidas.

“Quem mede, melhora; quem não mede, apenas imagina que melhora”, afirma Maira, presidente do IBRAPARC (Instituto Brasileiro de Pesquisa Aplicada em Resíduos e Clima).

Para Cláudia Borges, gerente de Sustentabilidade do Sistema Fiems, todos os envolvidos precisam saber como fazer a separação. A empresa também deve acompanhar quanto produz e registrar o destino de cada material. Em escritórios, reduzir impressões e retirar copos descartáveis são medidas que podem iniciar o processo.

Maira ressalta que apenas instalar lixeiras de coleta seletiva não basta. Também é necessário reduzir desperdícios, revisar compras e embalagens e apresentar comprovação sobre a destinação. Uma prática contínua deve contar com números verificáveis, metas, responsáveis e acompanhamento.

Certificação e outros empreendimentos

Uma empresa de Bonito recolhe os resíduos orgânicos do Estrela do Formoso e os leva para a compostagem. O pagamento é feito mensalmente, de acordo com a quantidade gerada. O atrativo também trata os efluentes da cozinha e dos banheiros e reutiliza a água tratada na irrigação. Segundo Lucas, a propriedade fica em área rural e não tem rede de esgoto, o que exigiu um sistema próprio.

A Certificação Lixo Zero depende da verificação das práticas e dos registros do empreendimento e tem validade de um ano. O cálculo considera reciclagem, reutilização e compostagem. Para receber o certificado, pelo menos 90% dos resíduos precisam ser desviados do aterro. De 50% a menos de 90%, a organização pode receber o selo Rumo ao Lixo Zero.

Em Bonito, também têm certificação o Parque Ecológico Rio Formoso, o Bacuri Cozinha Regional e, mais recentemente, a Estância Mimosa, que alcançou índice de 95,5% na gestão dos resíduos. O Parque foi o primeiro atrativo turístico do Brasil a receber o certificado, em fevereiro de 2025. O Bacuri obteve o reconhecimento em abril de 2026.

A certificação também chegou a indústrias de Campo Grande, entre elas a fábrica da Coca-Cola FEMSA Brasil e o Grupo Real H. Para Maira, apresentar resultados comprováveis é o que diferencia uma prática de gestão de resíduos da maquiagem verde, conhecida como greenwashing.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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