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Canetas para emagrecer avançam, mas cirurgia ainda é indicada em casos graves

Medicamentos podem ajudar no controle da obesidade, mas não substituem a bariátrica para todos os pacientes.

Canetas para emagrecer avançam, mas cirurgia ainda é indicada em casos graves
Foto: Paulo Francis/Arquivo

O uso de canetas emagrecedoras aumentou, enquanto o número de cirurgias bariátricas realizadas por planos de saúde caiu no Brasil. Ainda assim, a cirurgia continua sendo uma alternativa para casos de obesidade muito grave, perda de peso mais rápida ou doenças associadas.

A endocrinologista Bianca Paraguassú, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia em Mato Grosso do Sul, explica que a obesidade é uma doença crônica. Por isso, alguns pacientes podem precisar manter o uso das canetas por toda a vida. Os medicamentos, porém, não produzem a mesma resposta em todas as pessoas. Há casos de baixa resposta mesmo com doses mais altas e situações em que os efeitos colaterais impedem a continuidade.

Tratamento depende do perfil do paciente

A médica também alerta que o custo dos medicamentos no longo prazo, a manutenção de hábitos alimentares antigos, o sedentarismo e a falta de adaptação podem levar ao abandono do tratamento e ao reganho de peso. A cirurgia bariátrica também não garante que o peso não volte a subir se não houver mudança de hábitos.

O funcionário público Marcos Brito, 28, passou por uma cirurgia bariátrica custeada pelo convênio em 2019. Durante a pandemia de Covid-19, recuperou 40 quilos e chegou a 140 kg. Ele teve duas crises de ansiedade que o levaram ao hospital, passou a usar remédios para dormir e controlar a pressão arterial e o colesterol e relatou dificuldade para brincar com o filho.

Depois, começou o tratamento com canetas emagrecedoras e buscou acompanhamento de nutricionista e personal trainer. Atualmente, está com 82 kg. “Tudo melhorou na minha vida”, afirma.

Segundo Bianca, canetas com análogos ao GLP-1 e tirzepatida podem ser escolhidas em vez da cirurgia por oferecerem benefícios associados a doenças ligadas à obesidade. Estudos revisados pelo endocrinologista canadense Daniel Drucker apontam controle do colesterol e dos triglicerídeos, redução do risco cardiovascular e regressão da fibrose no fígado.

A endocrinologista ressalta que esses benefícios são considerados apenas para medicamentos certificados. Produtos de origem desconhecida podem não oferecer os mesmos efeitos.

Cirurgias caíram na rede privada

Dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostram queda nas bariátricas feitas por planos de saúde. Foram 73,6 mil cirurgias em 2023, 71,3 mil em 2024 e 62,2 mil no ano passado.

A expectativa é que a incorporação das canetas ao SUS (Sistema Único de Saúde) reduza a entrada de pacientes na fila da bariátrica. Em Mato Grosso do Sul, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou aumento seguido de estabilização: o número de novos pacientes cresceu entre 2023 e 2024 e ficou no mesmo patamar entre 2024 e 2025. Nos nove primeiros meses deste ano, os novos pacientes representaram 68,65% do total registrado no ano passado.

A SES (Secretaria Estadual de Saúde) não apresentou os números solicitados até o fechamento. Bianca defende a oferta dos medicamentos na rede pública para reduzir gastos com internações, doenças associadas à obesidade e mortes.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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